Path: csiph.com!1.us.feeder.erje.net!3.eu.feeder.erje.net!feeder.erje.net!eternal-september.org!feeder3.eternal-september.org!news.eternal-september.org!.POSTED!not-for-mail From: Patricia Ferreira Newsgroups: pt.comp.programacao Subject: Re: fiat lux! Date: Fri, 12 Jan 2024 11:24:39 -0300 Organization: A noiseless patient Spider Lines: 93 Message-ID: <87cyu64ok8.fsf@example.com> References: <87sf37ajzn.fsf@example.com> <87y1cy8z8u.fsf@example.com> <87v881z5qs.fsf@brilhante.top> <87v88155cz.fsf_-_@example.com> <877ckfzusn.fsf@brilhante.top> MIME-Version: 1.0 Content-Type: text/plain; charset=utf-8 Content-Transfer-Encoding: 8bit Injection-Info: dont-email.me; posting-host="eed6aa8f2a6a1f5c36baf911abd57201"; logging-data="3674273"; mail-complaints-to="abuse@eternal-september.org"; posting-account="U2FsdGVkX1/fKOIY5w+dlwAxYtlr1Kghte8Duoqf1XM=" Cancel-Lock: sha1:zszJnqMXZuMYYEU8Y7FUKtrTlh8= sha1:InJwQ/GGfWLqiXBe2U4PEPLXEUs= Xref: csiph.com pt.comp.programacao:130 Ninguém writes: > Daniel Cerqueira (dan.list@brilhante.top) escreveu no dia 2024-01-11 > (Thursday), cerca das 16:42 +0000: [...] >> O melhor a fazer é pegar numa configuração de Emacs (um .emacs ou >> init.el) que anda nos resultados do teu motor de busca web favorito, >> e aproveitar o que precisas. A partir de aí, vais construindo as tuas >> configurações do GNU Emacs, com o passar dos dias, meses, anos. > > Eu entendo essa filosofia até certo ponto. Faço isso com o bash porque > já tenho algum conhecimento de bash, mas tenho dificuldade em utilizar > essa metodologia quando não entendo o que estou a fazer. Sinto-me um > bocado feiticeiro de Oz. > Não entendendo lisp, por exemplo, colocar uma data de "tralha que não > sei o que faz só porque tem o efeito que eu pretendo" no ficheiro de > configuração pode resolver-me o problema de utilização, mas não o de > ignorância. > Acho que a metodologia que a Patrícia sempre sugere talvez seja melhor > - ler um bom livro sobre o assunto - pelo menos até entender o mínimo > para ser perigoso, depois então, ok, ir arriscando um bocadinho. > Há pouco tempo dei com um artigo com o título semelhante a "emacs from > scratch". Pareceu-me adequado ao que pretendo, mas começa logo por me > pedir para confiar nas "magias" que o autor sugere à partida!... > desiludiu-me um bocado. Meu método é esse mesmo --- um livro pra cada ferramenta que uso. Por exemplo, o livro do /ls/ você encontra ao dizer man ls a seu shell. O GNU EMACS tem seus livros em si próprio. Tem ferramentas que nos leverão a vários livros. Por exemplo, uma linguagem de programação. Você já deve ter visto por aí programas de uma só linha escritos em AWK. Você já leu ``The AWK Programming Language''? Leia-o e compreenda-os. Cara programa de computador funciona como uma linguagem de programação. O /ls/ possui uma série de construtores de linguagem, o que você descobre no livro. Todo programa-ls tem a forma ls [OPTIONS]... [FILE]... Estritamente falando, o programa não inclui o /ls/ porque, na verdade, esse construtor inicial é de uma outra linguagem --- chamada usualmente de /shell/. Então um programa-ls tem na verdade a forma [OPTIONS]... [FILE]... Conhecendo um mínimo sobre o shell e lendo o livro /ls/, compreender os resultados abaixos é tarefa trivial. Sem ler o livro, é um trabalho realmente difícil de ser feito. --8<---------------cut here---------------start------------->8--- %ls -i Makefile* 12666373952139719 Makefile 4785074604376244 Makefile.~1~ 12384898975409143 Makefile.~2~ 18014398509613044 Makefile.~3~ --8<---------------cut here---------------end--------------->8--- --8<---------------cut here---------------start------------->8--- %ls -i -r Makefile* 18014398509613044 Makefile.~3~ 12384898975409143 Makefile.~2~ 4785074604376244 Makefile.~1~ 12666373952139719 Makefile --8<---------------cut here---------------end--------------->8--- O princípio que emerge aqui então é o princípio de que pra usar uma ferramenta de computador é preciso estudá-la. Cada uma. O que parece uma tarefa absurda, é na verdade muito sensata. O processo produz uma grande economia de tempo. Um artigo na Internet em média não tem o cuidado que um livro tem. Uma pessoa escreve um livro usualmente pensando em fazer uma obra que dure muitos anos, talvez pra sempre. Ainda lemos a República de Platão com grande interesse. ``The C Programming Language'' de Brian Kernighan e Dennis Ritchie ainda é provavelmente a melhor apresentação sobre C. E mesmo que não fosse, sua importância história nos faz lê-lo. A gente não estuda só pra saber usar uma ferramenta; a gente estuda também pra entender o pensamento médio. Assuntos técnicos fluem numa comunidade e é preciso entender a comunidade. Não se sugere que você leia qualquer lixo. Muitos fenômenos técnicos hoje são na verdade propaganda. Estudar a história do tema usualmente nos permite detectar o fato e então dispensar o conteúdo comtemporâneo que é só propaganda, perda de tempo e ilusão. (Mas aqui a gente entra em outro assunto.) Com experiência, você não gasta seu tempo com livros que não são interessantes e nem se envolve com movimentos que não são interessante.